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quinta-feira, 16 de abril de 2015

Dicas de Filmes Nacionais que eu recomendo - Lista completa



Há alguns anos o cinema nacional vem surpreendendo muito além das pornochanchadas e da comédia pastelão. Com roteiros consistentes e muito bem elaborados, o cinema do Brasil vem apresentando enredos poéticos, surreais, reflexivos, muito além dos filmes da Xuxa e das comédias rasas comuns até a década de 1990.

1. Lavoura Arcaica (2001) Luiz Fernando Carvalho


Lavoura Arcaica é um dos melhores filmes que o cinema nacional já foi capaz de fazer. Selton Mello em mais uma grande atuação ao lado de Leonardo Medeiros e o do brilhante, já falecido, Raul Cortez. Repleto de diálogos longos e poéticos, com uma fotografia linda graças a Walter Carvalho (o mesmo de Central do Brasil). Lavoura Arcaica não tem a intensão de ser um filme fácil para o grande público. A proposta é exatamente instigar o espectador a decifrar e juntar as peças. André (Selton Mello) é um filho desgarrado, que saiu de casa devido à severa lei paterna e o sufocamento da ternura materna. Pedro (Leonardo Medeiros), seu irmão mais velho, traz ele de volta ao lar a pedido da mãe. André aceita retornar, mas irá irromper os alicerces da família ao se apaixonar por sua bela irmã Ana. Um dos grandes filmes brasileiros da década de 2000, cheio de poesia visual.


2. Estômago (2007) Marcos Jorge


Trilha simples e bem executada, fotografia maravilhosa, enredo chamativo. Um filme que cativa por sua simplicidade, incluindo o charme do personagem principal. Em poucas palavras, um filme pouco conhecido mas que resume bem o potencial dos atores nacionais.
Raimundo Nonato (João Miguel) foi para a cidade grande na esperança de ter uma vida melhor. Contratado como faxineiro em um bar, logo ele descobre que possui um talento nato para a cozinha. Com suas coxinhas Raimundo transforma o bar num sucesso. Giovanni (Carlo Briani), o dono de um conhecido restaurante italiano da região, o contrata como assistente de cozinheiro. A cozinha italiana é uma grande descoberta para Raimundo, que passa também a ter uma casa, roupas melhores, relacionamentos sociais e um amor: a prostituta Iria (Fabiula Nascimento).


3. Amarelo Manga (2003) Cláudio Assis


Não recomendado para os facilmente impressionáveis. Um filme que quebra tabus e desconstrói imagens. Cláudio Assis brinca com elementos de maneira crua e suja, sem máscaras, o que torna o longa primoroso. Os atores, assim como seus personagens, estão despidos de qualquer censura. No subúrbio de Recife, Lígia (Leona Cavalli) acorda já mal humorada, pois terá de suportar mais um dia servindo fregueses, que às vezes a bolinam no bar onde trabalha. Quando o dia terminar, só lhe restará voltar ao seu pequeno quarto, em um anexo do bar, e dormir para suportar a mesma coisa no dia seguinte. Paralelamente Kika (Dira Paes), que é muito religiosa, está frequentando um culto enquanto seu marido, Wellington (Chico Diaz), um cortador de carne, decanta as virtudes da sua mulher enquanto usa uma machadinha para fazer seu serviço. Neste instante no Hotel Texas, que também fica na periferia da cidade, Dunga (Matheus Nachtergaele), um gay que é apaixonado por Wellington, varre o chão antes de começar a fazer a comida. Na verdade ele é a pessoa mais polivalente no Texas, pois faz de tudo um pouco. Um hóspede do Hotel Texas, Isaac (Jonas Bloch), sente um grande prazer em atirar em cadáveres, que lhe são fornecidos por Rabecão, um funcionário do I.M.L. Apesar de decantar Kika, isto não impede de Wellington ter uma amante, que está cansada da situação e quer que ele tome logo uma decisão. Já Dunga pretende conseguir Wellington de outra forma, ou seja, fazendo um trabalho em um terreiro, assim de uma vez só ele “dá uma rasteira” na mulher e na amante. Isaac vai se encontrar no bar com Rabecão para lhe avisar que pode levar o cadáver. Lá ele conhece Lígia e sente vontade de ir com ela para a cama, mesmo com Rabecão lhe avisando que ninguém ali havia tentado.

O Cheiro do Ralo (2007) Heitor Dhalia


O Cheiro do Ralo narra a história de Lourenço (Selton Mello), dono de uma loja que compra objetos usados de pessoas que passam por dificuldades financeiras. Dada a natureza de seu negócio - a aquisição sempre pelo menor preço possível -, Lourenço acaba por desenvolver um jogo perverso com seus clientes. Aos poucos, esse personagem substitui, em seu relacionamento com os clientes, a frieza pelo prazer que sente ao explorá-los em um momento de aflição financeira. Perturbado pelo simbólico e fedorento cheiro do ralo que existe na loja, Lourenço é colocado em confronto com o universo e os personagens que julgava controlar. Isso o obriga a uma reavaliação de sua visão de mundo e o conduz, de forma inexorável, para um trágico desfecho. De certo modo, sua coleção de tipos se rebela e se volta contra ele. Na loja, Lourenço acaba sendo confrontado pelos personagens que julgava controlar.

5. Abril Despedaçado (2001) Walter Salles (Botafoguense)



Um dos filmes nacionais que mais me emocionaram inicia-se em abril de 1910, na geografia desértica do sertão nordestino onde vive Tonho (Rodrigo Santoro) e sua família. Tonho vive atualmente uma grande dúvida, pois ao mesmo tempo que é impelido por seu pai (José Dumont) para vingar a morte de seu irmão mais velho, assassinado por uma família rival, sabe que caso se vingue será perseguido e terá pouco tempo de vida. Angustiado pela perspectiva da morte, Tonho passa então a questionar a lógica da violência e da tradição. Frente a esse contexto ainda surge o tormento do amor e da oportunidade de mudança.

E você, qual filme brasileiro te encanta? Faltou algum na lista?

quarta-feira, 11 de março de 2015

Cinema brasileiro é "o pior do mundo" segundo o ator e diretor Paulo José


Um dos atores mais respeitados do Brasil, o veterano Paulo José teceu duras críticas à produção cinematográfica nacional. "Penso, com pessimismo, que o cinema brasileiro continua a fazer o pior cinema brasileiro do mundo", disse em entrevista publicada nesta segunda-feira (9) pelo jornal O Globo.
Aos 77 anos, o ator, que tem se afastado das câmeras nos últimos anos devido ao mal de Parkinson que sofre desde 1992, ainda se referiu à produção nacional como uma "horta devastada, muita terra e dois pés de mandioca".
"Parece que os diretores descobriram o macete de transformar um roteiro incipiente num filme medíocre, uma história banal conduzida por personagens igualmente banais", disse. "Há uma mistura ótima para o sucesso: atores e atrizes da TV fazendo caretas nas cenas de riso, vertendo lágrimas nas de emoção. Ainda há quem faça cinema por necessidade de expressão, mas são poucos."
Na entrevista, o ator, que tem mais de 90 trabalhos na TV e no cinema, ainda avaliou como positiva a chamada "cota de tela", lei que obriga os cinemas a exibirem uma quantidade mínima de produções nacionais. "Aqui entre nós, a classe [cinematográfica] reclama muito", disse.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Brasil - um país sem cinema, educação e cultura

Caríssimos leitores,

Sou historiador de formação e, infelizmente, apaixonado por história. Digo isso porque ser historiador na América Portuguesa do século XXI é viver na penúria. Afinal, nosso país remunera ridiculamente seus professores e a cultura é desprezada e até considerada inútil pela classe dirigente e por boa parte da população.

Nossas escolas possuem uma arquitetura de presídio, quadros negros esburacados, museus caindo aos pedaços, poucas livrarias... 


Um dos reflexos desta cultura formada por um amálgama de etnias diferentes imersas em 3 séculos de ignorância e total isolamente no período colonial e viciada em apoiar-se no trabalho escravo até quase o século XX é a falta de premiações literárias, cinematográficas e culturais.

Você consegue imaginar o que Checoslováquia (66 e 68), Argélia (1970), Costa do Marfim (1977), Hungria (1982), Argentina (1986, 2010), Taiwan (2001), Bósnia (2002), África do Sul (2006) tem em comum? Todos esses países foram agraciados com o mais cobiçado prêmio da academia: o oscar de melhor filme estrangeiro.

Nossa vizinha Argentina, além de 6 indicações, levou duas estatuetas. Apesar da situação econômica por lá não estar das melhores: câmbio desvalorizado, índice elevados de desemprego e complicações no comércio mundial eles não deixaram a cultura perecer. Há nesse país um processo civilizatório em marcha, bem diferente do Brasil, onde a cultura portenha e gaúcha emergem como um elemento unificador. Conversei com diversos vendedores de rua na feira popular de San Telmo e, mesmo com vários cacarecos à vista, eles sabiam diferenciar e descrever marfins do século XIX, prataria de valor histórico e, principalmente, livros.

O vendedor poderia até ter poucos pesos no bolso mas o conhecimento aflorava-lhe pelos poros.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O Palhaço pode trazer o Oscar para o Brasil pela primeira vez!

O Brasil é o único país penta-campeão no futebol!!! Que alegria, que satisfação. A Argentina, apenas bi e com gol de mão é constantemente lembrada dessa inferioridade. Mas será esta uma grande vantagem?

Quando partimos para outros prêmios o Brasil amarga lugares vergonhosos. Não temos nenhum prêmio Nobel enquanto a Argentina tem QUATRO: dois na categoria Medicina, em 1947 e 1984, e dois na categoria Paz, em 1936 e 1980.

Vamos falar agora de cinema, tema central deste blog.  Nossos hermanos também foram agraciados com dois Oscar enquanto o Brasil, acreditem se quiserem, não tem nenhum:

O primeiro filme argentino a receber um Oscar foi "A história oficial" (1985), de Luis Puenzo, que levou ao cinema as experiências das vítimas da ditadura militar do país (1976-1983) e dos milhares de desaparecidos durante o regime.

O segundo filme foi "O segredo dos seus olhos" que levou o Oscar de melhor filme estrangeiro, levando o país a festejar sua segunda estatueta e sexta indicação recebida ao prêmio da Academia.

E nós nos gabamos de sermos penta-campeões no futebol amargando péssimas colocações em educação, ciência e tecnologia. É mole? Escolas com arquitetura de presídio, professores mal remunerados, baixo investimento em ciência mas forte em programas sociais que incentivam o crescimento de natalidade e estimulam a malandragem.

Talvez o filme: "O Palhaço" (coisa que nós brasileiros entendemos bem: a palhaçada)  possa reverter esse quadro. Apenas quatro filmes brasileiros conseguiram passar pela seleção da Academia e chegar entre os cinco filmes estrangeiros que concorrem ao Oscar: ‘O Pagador de Promessas’ (1963), ‘O Quatrilho’ (1996), ‘O Que É Isso Companheiro’ (1998) e ‘Central do Brasil’ (1999). ‘Cidade de Deus’ foi a produção que concorreu a mais estatuetas (quatro no total, incluindo Melhor Diretor), mas até hoje nenhum filme conseguiu finalmente trazer o Oscar para o Brasil.
 
É hora de pararmos com o espírito de "Pátria de Chuteiras" e passarmos a nos orgulhar de nossa produção acadêmica e intelectual. 

sábado, 10 de setembro de 2011

O Homem do Futuro - filmaço

Só agora que os filmes nacionais estão alcançando este nível o brasileiro pode compreender como a trilha sonora é extremamente importante para o enredo do filme. A música, cantada a plenos pulmões por Wagner Moura e Aline Moraes, encaixa-se perfeitamente na história: Tempo Perdido do Legião Urbana