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sábado, 23 de abril de 2016

Indicações de Westerns Clássicos na NetFlix no segundo trimestre de 2016

Cinéfilos, caríssimos:

Há tempos não faço minhas indicações de filmes e, antes que a internet banda larga no Brasil se torne limitada, faço aqui a indicação de alguns clássicos imperdíveis que estão disponíveis na NetFlix nesse trimestre:



  • Era uma vez no Oeste
  • O Homem que matou facínora 
  • Três homens em conflito
  • Por uns dólares a mais 
  • Rio Vermelho

Tratam-se de filmes obrigatórios na agenda de qualquer amante da sétima arte do velho oeste: Clint Eastwood, John Wayne e Charles Bronson em sua melhor fase.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Encontros e desencontros


Sofia Coppola é uma diretora de sensibilidade ímpar. Confesso que gostei muito de seu primeiro filme: Virgens Suicidas, mas foi com Encontros e Desencontros que me apaixonei por ela. Seus filmes não são de cair no gosto popular, retratando um cotidiano vazio e tedioso, o filme pode acabar taxado de chato. Acredito que isso aconteceu com seu último filme: Somewhere onde existe um vazio hipertrofiado. Encontros e Desencontros, por outro lado, tem o time certo. Como Vinicius, colaborador deste blog sempre repete: "chatice é uma questão de time", se você sabe a hora certa de parar, não fica chato.


A inadaptação dos personagens em suas respectivas realidades tornou-se o tema mais recorrente na obra da cineasta. Quem nunca se sentiu assim? Deslocado dentro dessa enorme máquina que nos obriga a agir como pequenas e mecânicas engrenagens. Cada dia temos mais movimentos Slow. Slowfood, para que as pessoas voltem a comer em paz e com calma. Já ouvi falar até de Slowculture, para que não tenhamos mais a obrigação de escrever (e ler) compulsivamente.

Com um roteiro muito bem escrito, uma trilha sonora fantástica, ótimas tomadas e excelentes atuações, o filme consegue representar o isolamento social do indivíduo contemporâneo, que não consegue se encontrar nos relacionamentos que constrói, nem no convívio diário com pessoas estranhas, tão pouco no trabalho que realiza.


Um ator entediado e uma filósofa (hehehe) sem emprego são o eixo do filme. Ambos estão completamente entediados, infelizes e incomunicáveis em um país estranho. Isto acaba sendo apenas uma metáfora do que são suas vidas pessoais.

Já na primeira conversa, que acontece no bar do hotel, nasce entre eles um profundo sentimento de empatia, cumplicidade e identificação. O fato de estarem juntos, ameniza a dor provocada pela solidão.


Bill Murray dá um show de interpretação, sua expressão facial parece concretizar a angústia existencial e a solidão de seu personagem. Isto fica evidente já na primeira sequência do filme, que mostra sua chegada a Tóquio, uma cara amassada, o cansaço do vôo, o aspecto surreal da capital do Japão com todos seus letreiros luminosos. Scarlett Johansson está belíssima na pele de uma filósofa frustrada. Com o marido completamente envolvido no trabalho ela tenta se encontrar passeando pela cidade: conhece templos, shoppings eletrônicos e, nas cenas retiradas do filme, interage com robôs. Ao se deparar com o vazio ela entra em desespero.

Encontros e Desencontros não agrada a qualquer um, pois exige sensibilidade, coisa rara hoje em dia com filmes de explosões, efeitos especiais, mortes e finais autoexplicativos. O filme me causou uma identificação imediata. Recomendo, mas não para todos! Só para quem eu gosto e, obviamente, reconheço alguma sensibilidade e inteligência.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Estréia - Bravura Indômita

Com Jeff Bridges, Matt Damon, Josh Brolin, Heilee Steinfeld, Barry Pepper e Dark Matthews.

Fiquei surpreso com a notícia de que o filme já tinha rendido mais de 150 milhões de dólares (para um orçamento de 38 milhões), o que é muito considerando que é um faroeste (um gênero que tem estado fora de moda) e refilmagem do clássico homônimo que em 1969 deu o único Oscar para John Wayne, que viveu o personagem de Rooster Cogburn (que representaria de novo em Justiceiro Implacável ao lado de Katharine Hepburn, em 75 - mas num telefilme de 78, o papel acabou para o mais fraco Warren Oates).

Essa renda é a maior bilheteria de toda a longa carreira dos irmãos Coen, números que nem mesmo o premiado Onde os Fracos não tem Vez (07) conseguiu. Agora é Jeff Bridges, vencedor do Oscar ano passado (mas ele já estava contratado para o filme, o prêmio nada teve a ver, ele já era amigo dos Coen para quem fez o filme cult de drogados, O Grande Lebowsky, no papel hoje mais famoso de sua carreira, o Dude).

Os Coen, como estão no auge da carreira, não precisam dar justificativas para seus projetos, mas parece que aqui eles simplesmente quiseram fazer uma versão mais fiel do livro original de Charles Portis (um escritor que está na moda e sendo reavaliado). Eu acho temerário mexer com um personagem que Wayne já interpretou, um ícone do cinema ainda mais do western (embora as pessoas em geral reconheçam que ele levou o Oscar por sua carreira e não tanto pelo filme).

O ator estava até quase caricato no papel, mas Bridges também faz a mesma coisa. Não acho que tenha chegado sequer perto dele. Escolheu uma voz estranha (pouco se entende), manteve o tapa olho, mas não é tão carismático ou volumoso quanto Wayne. Não é a toa que muita gente não ficou impressionado com ele (originalmente não teve qualquer indicação ao Globo de Ouro). Mas o Oscar resolveu prestigiar os seus e o filme concorre como direção de arte, fotografia, figurino, direção, edição de som e mixagem. Filme, ator, atriz coadjuvante e roteiro. (Não concorre estranhamente à montagem e trilha musical, porque a Academia achou que usava temas antigos com excessiva frequência).

Mas no fundo não houve tantas mudanças assim de uma versão para outra. O filme anterior é solar, feito na paisagem resplandecente de Nevada, aqui tudo é triste e soturno. A heroína, antes era um adolescente, mas agora é bem mais menina e feita pela prepotente e posada Hailee Steinfeld (os críticos americanos a tem louvado, mas não gostei dela, em momento nenhum me pareceu humana, tudo posado). Já começa chegando à cidade para onde foi atrás dos sujeitos que mataram seu pai (no filme anterior mostram o assassinato) e procura contratar um caçador de recompensas que vá atrás do sujeito Tom Chaney ( feito por Josh Brolin, novamente sem deixar marca).

Com relutância, a missão acaba nas mãos de Cogburn e ela é cheia de perigos, reviravoltas e a ajuda também de um Texas Ranger (Matt Damon, do elenco é outra vez de quem eu gosto mais). Não tem interesse romântico, nem foto idílica, nem alívios cômicos como o filme anterior. Mas continuo a achar que não era preciso fazer esta refilmagem (como quase todas) e os Coen estão se perdendo em projetos de vaidade. Enfim, eles têm todo o direito e acho que nem eles imaginavam que este western fosse dar certo. Mas pode bem suceder que no fim das contas, entre O Discurso do Rei e a Rede Social, eles não levem nenhum Oscar para casa.

quarta-feira, 11 de março de 2009

The Wrestler - Imperdível

Nossa... acabei de ver o filme "O Lutador". Logo após as letras subirem e eu me tocar de que era o final, os olhos arderam, as narinas dilataram e as lágrimas desceram.

O filme é cru. Parece real. Muito melhor que essa pretensão de realidade que é big brother, pura afetação. Ali sim, você tem arte e vida em uma harmonia única. A todo instante você parece que é alguém seguindo o protagonista a poucos metros.

Baseado em uma história real a narrativa se funde com a própria biografia de Mickey Rourke. Em nenhum momento há apelação pelo drama caricato.

O cartaz de divulgação do filme tráz a seguinte frase: "witness the resurrection of Mickey Rourke" ("testemunhe a ressurreição de Mickey Rourke"). E é a mais pura verdade. Confesso que só me relembrei desse ator depois de ler as reportagens sobre ele após a indicação ao Oscar.
Para quem não se lembra foi ele o homem que protagonizou cenas quentes ao lado de Kim Bassinger no filme: Nove e meia semanas de amor (década de 80). Depois disso o ator passou anos longe das câmeras. Apaixonado pela luta, Mickey Rourke abandonou a carreira de ator para tentar ingressar no boxe.

Parece difícil de acreditar, mas a instabilidade do personagem Randy aplica-se também ao ator que lhe deu vida. Devido a sua instabilidade emocional Rourke perdeu inúmeros papéis de destaque na história do cinema, incluindo o de Eliot Ness, em "Os intocáveis", o de Axel Foley, em "Um tira da pesada", e o de Butch, em "Pulp fiction".
A narrativa é tão real que chega a sufocar. Você fica dividido a todo instante entre a pena e a admiração por Randy "The Ram".
Ele faz coisas tão absurdas e ao mesmo tempo naturais. Há um limite, uma oscilação constante, entre deixar a vida consumi-lo, deixando-se levar por um cotidiano amarelo, morto; ou voltar a ser o herói da geração da década de 80.

Aliás, para todos os nascidos nas décadas de 70 e 80 esse filme tem um sabor especial. Quase toda a trilha sonora é baseada nas bandas dos anos 80: Guns n´ Roses, Kiss, AC/DC. Em uma de suas entradas triunfais no palco toca: "Sweet Child O Mine".

Sem contar a frase: "90 sucks", ao concluir uma conversa sobre o suicidio de Kurt Cobain.

Aliás, um dos detalhes que mais me cativaram foi durante a cena em que o ex-ídolo da luta livre convida um garoto da vizinhança para disputar uma partida de videogame em seu trailer. O Jogo é com base no Nintendo 8-bits e é estrelado por ninguém mais que ele mesmo: Randy The Ram!

Farei aqui a citação do portal G1: "Criado especialmente para o filme, o jogo batizado de "Wrestle jam!" serve de metáfora para o deslocamento de Randy no mundo real. "Não acho que Darren poderia ter usado um Xbox ou qualquer outro videogame semelhante naquela cena. Parte do personagem de Randy é o fato de ele estar preso àquele período. Foi o ponto alto da sua carreira e de sua vida, e reconhecer que o mundo pode seguir em frente tão fácil e rapidamente seria como aceitar que o mundo poderia seguir em frente sem ele também", afirma ao G1 a designer norte-americana Kristyn Hume, co-autora do game encomendado pela equipe do longa-metragem com o irmão e programador Randall Furino."
Levaram 3 meses para a finalização do game.



Como se não bastassem as conexões desse filme com a realidade ainda vão além: o teimoso ator ainda insiste em dar mais uma chance à luta. Dia 9 de abril próximo, Mickey Rourke tornará a vestir as calças justas e fosforecentes de Randy na vida real e entrará em um ringue de verdade para disputar uma luta-livre pela federação mundial.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Não por acaso


Começarei este Blog citando um amigo meu, Marcelo, autor do blog Psicanálise Selvagem:

"...sempre existe uma expectativa antes de conhecer um livro, gente, música, filme, lugar. um tipo de predisposição pra falar bem ou falar mal.

pretensioso é tudo aquilo que você achava que era bom mas é ruim ou tudo aquilo que você achava que era ruim mas é bom."

E foi assim, em uma tarde de domingo que eu peguei despretenciosamente um filme nacional pra assistir. A idéia prometia pelo elenco do filme: Rodrigo Santoro e Letícia Sabatella (a mesma combinação lúdica e onírica de "Hoje é dia de Maria"). O drama tenta responder a questão: "será que na vida as coisas acontecem por acaso? Ou será que é tudo obra do destino?"

O filme corre leve, mostrando que o acaso é justamente... casual. Não existem trombetas que tocam de repente e propõe uma mudança em sua vida. As coisas acontecem!

Pedro, personagem vivido por Rodrigo Santoro, fabrica mesas de sinuca e não acredita em acaso. A vida é como uma jogada: você pode planejar cada lance, escolher cada caminho. Repleto de analogias com a sinuca o filme agrada de filósofos de boteco.

O diretor do filme, Philippe Barcinski acredita no acaso. Segundo ele, sua vida foi decidida assim, de uma decisão casual (mas não seriam todas as decisões um acaso?). Ele reencontrou o "amor de sua vida" indo a casa de uma amigo, e bingo, lá se reapaixonaram, casaram, tiveram uma filha.

Interessante é que Rodrigo Santoro também define assim seu encontro romântico: "Talvez se eu não tivesse ido assistir a um desfile de moda, eu não teria conhecido a Ellen [Jabour], seria uma lástima”.

O engraçado é que eu também defino assim o início da minha relação. Eu estava em uma festa junina, e uma garota de olhos verdes não tirava os olhos de mim. Eu puxei ela pelas mãos, beijei, e por acaso, estamos juntos até hoje.

Talvez todo amor seja casual. Vale a pena assistir esse filme! Boas sacadas, bom roteiro, bom elenco, e surpreendente.

Para assistir o trailer:

http://www.youtube.com/watch?v=XV0zR2aFIS4